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LGPD no WhatsApp do escritório de advocacia: checklist prático

Documentos, laudos, prints e áudios com a vida do cliente passam todos os dias pelo WhatsApp do escritório. Este checklist mostra o que a LGPD e o sigilo profissional pedem desse canal e o que dá para arrumar ainda esta semana.

Publicado em · atualizado em · 6 min de leitura

O WhatsApp virou o arquivo informal de muitos escritórios: RG, laudo médico, contracheque, print de conversa e áudio de dez minutos contando a separação. Tudo isso é dado pessoal, boa parte é dado sensível, e tudo está protegido pelo sigilo profissional. A LGPD não proíbe usar o WhatsApp. Ela pede que o escritório saiba por que trata cada dado, proteja o canal e escolha bem quem mais tem acesso. Este checklist vai direto a esses pontos.

Precisa de consentimento para atender pelo WhatsApp?

Em regra, não. O consentimento é só uma das bases legais da LGPD. No atendimento jurídico, as mais comuns são outras:

Sem consentimento não quer dizer sem transparência. O titular tem direito a informações claras sobre o tratamento e sobre quem trata os dados (art. 6º, VI) e pode pedir confirmação, acesso, correção e outras providências (art. 18). E, por cima de tudo isso, vale o sigilo profissional (Código de Ética e Disciplina, art. 35).

O que é dado sensível na conversa com o cliente

A LGPD chama de sensível o dado sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, saúde, vida sexual e dado genético ou biométrico (art. 5º, II). No escritório, isso aparece o tempo todo:

Isso não impede o atendimento. Pede mais cuidado: pedir só o necessário (princípio da necessidade, art. 6º, III), tirar o documento do celular e guardá-lo no sistema do escritório.

Checklist 1: o aparelho e a conta do WhatsApp

  1. Número do escritório no WhatsApp Business, e não o celular pessoal de quem atende.
  2. Confirmação em duas etapas ligada. O PIN impede que alguém registre o número do escritório em outro celular.
  3. Bloqueio do aparelho e do app com senha ou biometria.
  4. Aparelhos conectados revisados toda semana. A Central de Ajuda do WhatsApp recomenda conferir com frequência o que está conectado e desconectar o que você não reconhece.
  5. Backup com criptografia de ponta a ponta ligado, se o escritório usa o backup do WhatsApp.
  6. Saída de alguém da equipe: no mesmo dia, desconecte os aparelhos que a pessoa usava e troque as senhas e o PIN que ela conhecia.

Essas medidas são a parte do celular de um dever que a LGPD impõe a todo agente de tratamento: adotar medidas de segurança, técnicas e administrativas, contra acessos não autorizados, perda e vazamento (art. 46).

Celular na tela Aparelhos conectados com três itens; um aparelho desconhecido aberto com o botão Desconectar, ao lado dos passos da revisão semanal
Revisão semanal: confira a lista de aparelhos conectados e desconecte o que você não reconhece.

Checklist 2: as conversas e os documentos

  1. Peça só o necessário. Uma lista de documentos por área, nas respostas rápidas, evita que o cliente mande tudo.
  2. Tire os documentos do celular. Salve no sistema ou na pasta do caso e apague do aparelho quando não precisar mais deles ali.
  3. Nada de caso em grupo com terceiros. Familiares, correspondentes e peritos: cada um na sua conversa, com o que precisa saber.
  4. Mensagens temporárias com critério. Reduzem a exposição, mas apagam o que talvez você precise guardar, inclusive como prova.
  5. Defina por quanto tempo guarda. A LGPD manda eliminar os dados quando a finalidade acaba, mas permite conservá-los, por exemplo, para cumprir obrigação legal (arts. 15 e 16). Escreva a regra do escritório e siga.
  6. Tenha quem responda aos pedidos do titular, como "quais dados vocês têm de mim?" ou "apaguem o meu cadastro" (art. 18).

Checklist 3: fornecedores que acessam as conversas

Chatbot, plataforma de atendimento, CRM, transcrição de áudio, assistente de IA: se a ferramenta recebe as mensagens, ela trata dados em nome do escritório. Pela LGPD, o operador trata os dados segundo as instruções do controlador, que verifica se elas são cumpridas (art. 39), e o controlador e o operador devem manter registro das operações de tratamento (art. 37). Antes de contratar, peça por escrito:

Uma planilha simples, com uma linha por ferramenta e essas colunas, já é um bom registro.

Exemplo: as respostas do Parrot

PerguntaResposta do Parrot
O que recebeComo qualquer aparelho conectado, a conexão recebe as mensagens das conversas. O Parrot processa só os áudios das conversas individuais, depois que você liga o serviço, e as mensagens em que você chama @parrot.
Onde processaEm servidores e com um fornecedor de transcrição nos Estados Unidos, listados na política de privacidade.
Por quanto tempo guardaOs áudios são baixados só para transcrever, em memória. As mensagens da conexão são apagadas em até 7 dias (até 14 com a cópia de segurança).
Treina IA com as conversasNão. Também não vende dados nem faz publicidade com eles.
Como desligar"@parrot desativar" numa conversa, "@parrot desativar tudo" em todas, ou desconectar o aparelho no WhatsApp.

Os detalhes estão na política de privacidade. Se o escritório usa IA para transcrever o que o cliente manda, a Recomendação 001/2024 da OAB orienta formalizar isso por escrito com o cliente; há um modelo de cláusula no guia Chatbot e IA no escritório de advocacia.

Conversa com a cliente Marta: a advogada manda @parrot desativar, o Parrot confirma e o áudio seguinte fica sem texto; ao lado, as três formas de desligar
Para desligar o Parrot numa conversa, mande @parrot desativar; em todas, @parrot desativar tudo.

Se algo der errado: incidente de segurança

Celular roubado com o WhatsApp aberto, aparelho desconhecido na lista de conectados, conversa encaminhada para o cliente errado. O roteiro:

  1. Contenha: desconecte os aparelhos, troque o PIN e as senhas e, se o celular sumiu, bloqueie a linha com a operadora.
  2. Avalie: quais dados, de quais clientes, com que risco.
  3. Comunique se houver risco ou dano relevante: a ANPD e o titular devem ser avisados (LGPD, art. 48), em até 3 dias úteis, segundo a ANPD (Resolução CD/ANPD nº 15/2024, arts. 6º e 9º).
  4. Registre o que aconteceu e o que foi feito, mesmo que a conclusão seja não comunicar.

As sanções da LGPD incluem multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração (art. 52, II), sem contar a responsabilidade ética perante a OAB.

Por onde começar

Para organizar o resto do atendimento no WhatsApp, do número à triagem, veja o guia WhatsApp para advogados.

Conteúdo informativo, conferido com a legislação em 25 de setembro de 2026. Não substitui a análise do caso concreto nem a orientação da sua seccional da OAB.

Perguntas frequentes

Escritório de advocacia precisa pedir consentimento para usar WhatsApp com cliente?

Em regra, não. As bases legais mais comuns são a execução do contrato (LGPD, art. 7º, V) e o exercício regular de direitos (art. 7º, VI, e art. 11, II, d, para dados sensíveis). O dever de transparência e o sigilo profissional continuam valendo.

Advogado pode receber documentos do cliente pelo WhatsApp?

Pode. O cuidado é pedir só o necessário, proteger o aparelho e levar os documentos para o sistema ou a pasta do caso, apagando do celular quando não forem mais necessários ali.

Usar transcrição de áudio com IA viola a LGPD?

Não por si só. A ferramenta trata dados em nome do escritório, então é preciso saber onde ela processa, por quanto tempo guarda e se usa os dados para treinar IA, e informar o cliente. A Recomendação 001/2024 da OAB orienta formalizar por escrito o uso de IA.

O que fazer se o celular do escritório for roubado?

Desconecte os aparelhos, troque senhas e PIN, bloqueie a linha com a operadora e avalie quais dados ficaram expostos. Se houver risco ou dano relevante aos clientes, comunique a ANPD e os titulares em até 3 dias úteis (Resolução CD/ANPD nº 15/2024).

Por quanto tempo o escritório pode guardar as conversas com clientes?

A LGPD não fixa um prazo único: os dados devem ser eliminados quando a finalidade acaba, e a conservação é permitida, por exemplo, para cumprir obrigação legal (arts. 15 e 16). Defina a regra do escritório por escrito.

A multa da LGPD vale para escritório de advocacia?

Vale. As sanções incluem multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração (art. 52, II), além da responsabilidade ética perante a OAB.

Mensagens temporárias ajudam a cumprir a LGPD?

Reduzem a exposição no aparelho, mas apagam o que talvez você precise guardar, como o histórico do atendimento ou uma prova. Use com critério, conversa por conversa.

O Parrot guarda as conversas dos clientes do escritório?

Não como arquivo. Os áudios são processados em memória, as mensagens que a conexão recebe são apagadas em até 7 dias (até 14 com a cópia de segurança) e as conversas não são usadas para treinar IA. Os detalhes estão na política de privacidade.

Fontes

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